Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato: “Corrupção não compensa e não pode ficar impune”

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Crédito: Pedro Waldrich

Há cinco anos, o Procurador da República Deltan Martinazzo Dallagnol, paranaense de 39 anos, ganhou notoriedade – inclusive internacional – por integrar e coordenar a Operação Lava Jato, a maior ofensiva contra a corrupção da história do Brasil. “A cada 100 casos de corrupção no país, 97 ficam impunes na Justiça Criminal”, revelou em entrevista exclusiva, antes de falar para 1.200 empresários e dirigentes de CDLs presentes à 48ª Convenção Estadual do Comércio Lojista, encerrada no último sábado (25), em Joinville. “Precisamos passar à sociedade a mensagem de que a corrupção não compensa e tampouco pode ficar impune”, sentenciou.

Quais os próximos passos da Lava Jato?
Deltan Martinazzo Dallagnol – Nós prosseguimos comprometidos em expandir as investigações, em buscar novos caminhos – e recentemente conseguimos importantes avanços identificando bancos envolvidos com lavagem de dinheiro, além de novos acordos de colaboração, que levam a novas linhas de investigação.

A Lava Jato perdeu a força?
Deltan Martinazzo Dallagnol Com a passagem do tempo a sociedade passou a encarar como rotina. A revelação de esquemas da Petrobras, que representaram a recuperação de R$ 6 bilhões e um número considerável de indiciados e prisões, gerou a percepção de tudo o que veio depois era menor. Depois do gigante, tudo parece pequeno. Mas, sobretudo, não podemos achar a corrupção normal, não podemos perder a indignação diante da injustiça e da corrupção.

O que é preciso para termos ainda mais eficiência nos processos contra a corrupção?
Deltan Martinazzo Dallagnol – Falta uma resposta do Parlamento. As respostas que tivemos – a condenação em 2ª instância, a proibição do financiamento de empresas às campanhas eleitorais e a restrição do foto privilegiado – vieram Judiciário. Precisamos de uma mudança do sistema de prescrição, que favorece a anulação de processos de poderosos, após décadas de tramitação. Isso caracteriza nosso sistema político e precisa mudar. Nossas eleições são caríssimas – e há um estudo que referencia a proporção de reais investidos por votos obtidos. As 70 propostas contra a contra a corrupção (um conjunto de leis, Propostas de Emendas Constitucionais e resoluções lançadas em 2018, com ampla participação de entidades e instituições públicas e do terceiro setor) seriam um avanço de muita importância, mas não evoluiu no Congresso. O Mensalão e a Lava Jato foram pontos fora da curva. 97 a cada 100 casos de corrupção ficam impunes na Justiça criminal, com a mensagem de que a corrupção compensa. Precisamos passar mensagem inversa, de que as punições não são exceções.

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