Música e imagem – combinação de suor e talento

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    Sendo músico há cerca de 30 anos, sempre considerei a imagem parte essencial dos shows e bandas dos quais participei. Afinal, quando comecei a me interessar pelo rock n’ roll, a MTV já era realidade, à época, pouco acessível à maioria dos brasileiros. Contentávamos em nos deleitar com vídeos das bandas estrangeiras e nacionais no espaço de Cacau Menezes no Jornal do Almoço e nos nacionais Clip Clip (TV Globo) e Shock (TV Manchete). Neste contexto, os videoclipes demandavam orçamentos nababescos e eram tratados com a importância proporcional aos álbuns – e, trocadilhos a parte, ‘Thriller’, de Michael Jackson,foi a prova definitiva disso!

    Pois mesmo após três décadas de música e shows, somente recentemente participei da produção de um clipe, em sua mais profissional acepção, na banda ‘Farra do Bowie’, que preza pelo visual diferenciado e chocante, como um diferencial do espetáculo. Depois da primeira experiência, com o vídeo da canção ‘Vidal Claustrofobia’, acabo de participar de outra produção, também a cargo da clássica Vinil Filmes, especialista no underground da produção artística catarinense. Tudo o que envolve a produção é minuciosamente calculado, demorado e lento – e não por culpa de alguém, mas pela imposição da qualidade. A música gravada foi ‘Como Você Me Quer’, parceria da banda com o italiano Rohmanelli, cantor e performer.

    Aprendi muito nestas recentes empreitadas. Primeiro: que não tenho vocação para videomaker. Segundo: adquiri profundo respeito pelos profissionais envolvidos na produção de clipes. Mergulham na canção, na estética proposta e têm profunda paciência. Que venham mais clipes, mas prefiro me concentrar em produzir canções.

     

    André Seben, músico e jornalista