Decisões Inconsequentes – artigo de Rodrigo Rossoni, presidente da ACIF

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Parece uma brincadeira de mau gosto, mas, infelizmente, é verdade. O governo de Santa Catarina assumiu na última semana o ônus de mais R$ 3,8 milhões mensais na recente contratação de 107 novos auditores e procuradores. A decisão de aumentar os gastos públicos em meio à maior crise da história demonstra uma insensibilidade com o momento no qual vive a sociedade, pressionada pela alta carga tributária e forte redução da atividade econômica.

É inevitável que este descontrole aumente a pressão sobre a iniciativa privada, a verdadeira geradora de empregos e renda, o que leva ao consequente aumento de impostos e do preço final dos bens e serviços. O Executivo estadual precisa assumir uma nova postura, que permita reduzir impostos e possibilite o crescimento econômico.

Na mesma linha, espera-se que a reforma da Previdência traga a redução de gastos com uma pequena e privilegiada parcela dos catarinenses. Hoje, cada habitante paga aproximadamente R$ 500 por ano para que 70 mil servidores aposentados vivam em um universo paralelo – uma realidade desconhecida pelo trabalhador comum.

Depois de apresentada de maneira muito acanhada pelo Governo, a reforma da Previdência está prestes a criar um caos nas contas. É absurdo que, em vez de cortar gastos, a proposta tenha recebido emendas de alguns parlamentares que promovem aposentadorias especiais e aumentem benesses. Enquanto isso, os trabalhadores da iniciativa privada são marginalizados.

É indispensável que exista um esforço urgente do Legislativo e do Executivo na aprovação de uma Previdência que preze pela redução deste déficit e, ao menos, diminua as desigualdades entre os cidadãos, permitindo contas saudáveis e redução de tributos.

A onda de falências e desemprego gerada pela pandemia da Covid-19 corroeu o poder de compra da maioria da população, que parece lutar sozinha pela sobrevivência e pela própria saúde. Os gastos anunciados são uma ofensa, para dizer o mínimo. O povo catarinense exige reformas que tornem a máquina estatal mais enxuta e mais eficiente – e menos onerosa ao cidadão.

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