Temporada começa bem e termina mal para bares e restaurantes de SC

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Ao contrário da expectativa revelada pela primeira pesquisa da Associação Brasileira de Bares de Restaurantes em Santa Catarina (Abrasel SC), realizada logo após o Réveillon, os bares e restaurantes do litoral amargaram resultados ruins nesta temporada, de acordo com o último levantamento da entidade, recém-concluído. Se o segmento estava otimista no início de 2019 – quando 60% dos empresários vislumbravam um período de melhora – a consulta revelou que 74% dos estabelecimentos avaliaram o fluxo de consumidores como igual ou pior que na temporada passada.

“Nossa crise econômica, aliada à da Argentina e somada ao câmbio desfavorável, comprometeram os resultados. Finalizamos o período com redução do gasto médio do consumidor para 88% dos entrevistados”, afirma Raphael Dabdab, presidente da Abrasel no estado.  Ele completa que o aumento do fluxo de turistas – principalmente de paulistas e gaúchos – não foi suficiente para compensar a grande redução de turistas do país vizinho.

Dabdab alerta também para outro ponto negativo: “A piora de qualidade dos serviços públicos poderá afetar de forma negativa a próxima temporada”, diz. Entre os quesitos apurados, o trânsito foi o que mais atrapalhou, já que para 55% dos consultados a questão da mobilidade ficou pior que na temporada anterior. O fornecimento de energia e questões de saneamento também tiveram má avaliação. A exceção foi a segurança pública, que teve melhora percebida por 45% dos entrevistados. “As perspectivas para o ano são preocupantes, pois a recuperação econômica do setor depende da recomposição do poder de compra do consumidor, que, a partir do momento da retomada do crescimento econômico, se dará de forma lenta e gradual”, garante o presidente.

Apesar deste cenário adverso, que acarretou em queda de consumo – enquanto os custos subiram acima da inflação, “os empresários têm absorvido custos mais altos para que não seja agravada ainda mais a redução de clientes. Essa situação compromete a saúde financeira do setor”, alerta Dabdab. Que completa: “Em Santa Catarina o cenário é ainda mais desafiador, uma vez que sofremos também aumento de carga tributária: em 2015 houve incremento de 135% na alíquota do ICMS e iniciamos 2018 com crescimento do mesmo imposto para os alimentos da cesta básica. Este cenário representa menos empregos e investimentos, pois nosso estado tem a carga de ICMS mais elevada entre os Estados da Região Sul e Sudeste”, informa.

Dabdab espera que, a partir do momento em que o governo estadual reconheceu o turismo como um dos principais motores da economia, adote as medidas propostas pela Abrasel para corrigir distorções tributárias, “assim como foi feito em outras unidades da Federação. Caso contrário, serão comprometidos a geração de emprego e novos investimentos”, finaliza.

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