No começo foi – e sempre será – o Box (32)

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    O Box 32 e, por consequência Beto Barreiros (ou seria o contrário?), entrou na minha vida pouco depois de sua fundação (1984), quando o achei diferente dos demais pontos do Mercado Público de Florianópolis e resolvi lanchar – um frugal cachorro-quente. Primeiro impacto: qual o meu nome? Ué, por que diabos querem saber, apenas pedi um hot-dog? E, segundo estranhamento: por que me questionam tanto se está bom e se quero algo mais? A conclusão viria mais tarde: eu estava diante de um novo padrão de atendimento na cidade. Conheci o Box quando ainda vendia ‘X – salada’ e tinha freezer da Kibon, mas sua genética estava evidente, no atendimento e no mix de produtos que começava a compor.

    1988 foi o meu ano da graça e por conta do inesquecível apoio do jornalista Luiz Fernando Arzua Bond, o Bondinho, assumi como repórter e chefe da sucursal do Jornal do Brasil (JB) no estado. A sede do JB foi transferida para a rua Conselheiro Mafra, defronte ao Mercado – e aí Beto e Box, criador e criatura, ingressaram definitivamente em minha vida. E, gradualmente, o bar se transformou num ícone da cidade, a marca alçando voos além-fronteiras e Beto se tornando um embaixador do turismo de Santa Catarina.

    Quase todos os meus fins de tarde eram no balcão da versão ilhoa do Rick’s Café, como sentenciou o cronista Raul Caldas, numa livre analogia ao estabelecimento eternizado no filme ‘Casablanca’. Ali entrevistei e convivi com centenas de ilustres (de Albert Sabin a Adolfo Pérez Esquivel; de Luiz Melodia a Juca Chaves; de Lula a Maluf) e anônimos, com quem aprendi e ensinei, ‘ganhei’ chamadas de capa no jornal e tive ressacas homéricas – ao lado de amigos que se foram, como o escritor e publicitário Jair Hamms, o repórter-fotográfico Olívio Lamas e o jornalista Aldírio Simões.

    O Box 32, por generosidade de Beto Barreiros (uma marca profunda de seu caráter), foi o cliente 01 da PalavraCom, que nos indicou para inúmeros prospects.

    Como são muitas – e deliciosas – histórias, não resta opção senão contá-las em partes.

     

    Por Carlos Stegemann, jornalista

    Legenda: O Box 32, já famoso, com os escritores Sergio da Costa Ramos, Edson Machado, Luis Fernando Veríssimo e Jair Hamms (in memoriam) e Beto Barreiros, de pé. (Foto de Carlos Stegemann)