Tributo a Olívio Lamas, o mais repórter dos fotógrafos

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    Olívio Lamas, um dos mais notáveis profissionais do fotojornalismo brasileiro, completaria 69 anos neste 21 de novembro de 2018. Lamas foi meu parceiro no Jornal do Brasil, quando trabalhei como correspondente em Santa Catarina, e também nas revistas Globo Rural e Pequenas Empresas Grandes Negócios, entre muitos outros trabalhos.

    Concedi entrevista a uma TV, no dia de seu enterro, e proferi uma frase que sintetizava seu perfil profissional: Olívio Lamas foi o mais repórter dos fotógrafos. Apesar de sua meticulosidade na técnica, ele era, sobretudo, um repórter. A essência de seu trabalho era aliar imagem à informação. Em razão disso, conquistou os prêmios Esso e Vladimir Herzog de Direitos Humanos (concedido pela Federação Nacional de Jornalistas) em 1988, com uma das mais polêmicas imagens da mídia brasileira, retratando um portador de AIDS em estado terminal, publicada na revista Imprensa.

    Gaúcho de Rio Grande (RS), torcedor fanático do Internacional, era casado com Elisabeth Rocha Lamas, tinha seis filhos, quatro netos e faleceu vítima de câncer, aos 58 anos, em 23 de junho de 2007 – em sua casa, na localidade de Campo D’una, em Imbituba. Sua trajetória incluiu jornais como Zero Hora, posteriormente a extinta Folha da Manhã e Correio do Povo (grupo Caldas Júnior), O Globo (sucursal SP), Jornal do Brasil e revista Globo Rural, entre muitos outros. Cobriu duas Copas do Mundo, dezenas de GPs de Fórmula 1, movimentos populares e campanhas eleitorais.

    Homenagear Olívio Lamas também significa uma reverência ao trabalho sério, arriscado e muitas vezes pouco reconhecido dos repórteres-fotográficos de todo o mundo.

     

    Por Carlos Stegemann, jornalista (foto: Mauro Ferreira)