Transporte coletivo no Chile: sem almoço grátis

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    No início de agosto estive no Chile, onde aproveitei para descansar por alguns dias. Nessa viagem pude aproveitar para observar uma questão que muito me espantou: o sistema de transporte coletivo da Região Metropolitana de Santiago e seus três modais, com absurdas discrepâncias.

    As linhas de ônibus do transporte público de Santiago são integradas e operadas por sete concessionárias, além das empresas de metrô e trem. Como não utilizei o trem de superfície, vou me deter aos demais modais.

    Enquanto nos ônibus – modal mais comum e com ampla rede de cobertura – a qualidade dos veículos deixa muito a desejar e a poluição que emitem são espantosas pela alta quantidade de toxicidade lançada na Costa Oeste, o metrô é mais funcional e útil: suas cinco linhas do metrô interligam os principais destinos da cidade.

    O pagamento da tarifa nos ônibus – cujos patamares são muito próximos aos praticados em Florianópolis – não é obrigatório, ao contrário do metrô. A impressão, como turista, é de que a ausência de investimentos nos ônibus – seja por meio da liberação para exploração publicitária nos veículos ou a efetiva fiscalização no pagamento da tarifa – são as duas principais questões que explicam a impressionante quantidade de veículos velhos e sem qualquer conforto.

    A conta é simples: ao contar com apenas uma fonte de renda (e ainda assim não obrigatória), o fluxo de caixa para investimento certamente deve ser insignificante para as necessidades. O sistema de ônibus abrange cerca de 6,2 milhões de usuários das 32 comunas que compõem parte de Santiago, além de Puente Alto e San Bernardo, em uma área geográfica de cerca de 680 quilômetros quadrados em áreas urbanas. Em um dia útil, cerca de 3 milhões de transações são realizadas, segundo a Diretoria de Transporte Público Metropolitano.

    Já a cobrança para uso das cinco linhas do metrô (a sexta está em processo de implantação) garante a formação de fundos de investimento, o que permitem a regularidade dos horários, a boa estrutura nas estações e a qualidade na prestação do serviço. E aí o resultado não poderia ser outro: não existe almoço grátis!

    Por Danilo Duarte, jornalista