A perda do eterno caubói

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    Por Carlos Stegemann

    Primeiro de fevereiro de 2008 foi o dia mais triste dos 25 anos que dirijo a PalavraCom – marcado pela morte do empreendedor e artista João Batista Sergio Murad, o eterno Beto Carrero. Faltava pouco para 01h da manhã, numa chuvosa sexta-feira de Carnaval, quando recebi a ligação de Victor Hugo Loth, gerente de Marketing do parque Beto Carrero World, comunicando-me, bastante abalado, da morte de Beto.

    Foram dois dias muito difíceis, até que fosse sepultado, no pequeno cemitério de Penha, onde está instalado seu maior sonho, o maior centro de lazer da América Latina e entre os cinco maiores do mundo. Aristides Niehues, um dos nomes de confiança de Beto, centralizou em mim a comunicação e concedi 25 entrevistas, em pouco mais de 30 horas, para veículos de todo o país e exterior (Argentina, Uruguai e Paraguai). Junto do meu sócio e amigo André Seben, virei 48 horas sem dormir.

    No velório, as cenas eram comovedoras: as crianças do Instituto Betinho Carrero e os artistas do parque (alguns faziam questão de vir com os trajes de seus shows), moradores de Penha, amigos, autoridades, funcionários e familiares sofrendo duramente com a perda repentina do caubói brasileiro. No calor escaldante, filas enormes e muita gente passando mal.

    O sepultamento foi marcado por algo, no mínimo, intrigante: o caixão com o corpo de Beto Carrero baixou à sepultura após o emocionado discurso do então governador Luiz Henrique da Silveira (in memoriam) – e nesse instante abateu-se sobre o cemitério uma violenta tempestade, com ocorrência de granizos. Sem abrigo, as pedras de gelo feriram (levemente) dezenas de pessoas – eu fiquei com hematomas por quase uma semana! Mas, como em um passe de mágica, a precipitação cessou no exato instante em que a urna funerária chegou ao fundo.

    A PalavraCom atendeu o parque por quase 10 anos – e temos a convicção de que João Batista Sergio Murad faleceu aos 70 anos, mas será eterno em cada sorriso de quem o admira ou se diverte no parque.

     

    Fotos: Fernando Simões

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