FLIP, raro bom exemplo que ecoa para o país

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    No último domingo (29/07) acabou mais uma edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a 16ª FLIP, que torna a pequena e encantadora cidade secular do sul fluminense em território da leitura, de ativistas culturais, personalidades e personagens. Estive em seis edições, cinco das quais cobrindo, com matérias no Diário Catarinense e boletins para emissoras de rádios da Rede de Notícias Acaert e para a CBN Diário.

    Algumas experiências são inesquecíveis: um breve diálogo com o norte-americano Gay Talese, maior nome vivo do ‘new jornalism’ (Honra teu pai, A mulher do próximo, O reino e o poder etc.); a entrevista com o cineasta Eduardo Coutinho, diretor de ‘Cabra Marcado para Morrer’ (morto tragicamente, sete meses depois); reflexões com Milton Hatoum e Sergio Rodrigues, nomes do primeiro escalão da literatura contemporânea – entre tantas outras. A paulista Hilda Hist foi homenageada deste ano, mas tive o privilégio de me envolver em discussões e releituras de Graciliano Ramos, Manuel Bandeira e Guimarães Rosa.

    Em um país cuja média de leitura per capita é inferior a um livro por ano, segundo a pesquisa Retratos da Leitura, eventos como a FLIP têm importância superlativa, em especial porque a crise econômica dos últimos anos os fez ainda mais escassos Brasil afora. A FLIP tem iniciativas (muito bem-sucedidas) de responsabilidade social em favor da leitura com a população infantil local e é sustentável. Paraty é um cenário magnífico.

    A FLIP, apesar de bancada por grandes patrocinadores e mecenas muito ricos, começou pequena e despretensiosa. É possível, portanto, que cidadãos, entidades e o poder público repitam a experiência em sua cidade e sua região.

    Por Carlos Stegemann, jornalista e diretor da PalavraCom