Esforço de guerra em prol da leitura no Brasil

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    Por Carlos Stegemann, jornalista e escritor

    A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 2017, do Instituto Pro-Livro (prolivro.org.br), revela a dramática situação brasileira na área, com média pouco acima de uma obra lida anualmente por habitante e com mais agravantes do que se imagina – como o abismo existente entre a população e as bibliotecas e que os poucos livros consumidos pelos estudantes têm relação direta com as atividades didáticas obrigatórias. Por ser autor de obra infantojuvenil frequento escolas – em especial as públicas e municipais – de Florianópolis, mas também bibliotecas, por força do ofício de jornalista e pesquisador.

    O quadro é desolador, contudo também é verdade que no dia a dia nos deparamos com muito mais iniciativas em favor da leitura do que podemos supor. São ações das próprias escolas, das secretarias municipais de Educação, de ONGs, de entidades empresariais ou de classe – e, aleluia, de cidadãos e cidadãs que simplesmente querem difundir o hábito de leitura e o fazem com seus escassos recursos e sem metodologia, por pura voluntariedade.

    Considero que essa é a conclusão mais importante: devemos exigir dos governantes novas e eficientes mobilizações em favor da leitura, porém, na mesma proporção, valorizar as já existentes e empreender com novas atividades neste campo. O trabalho para formar leitores e construir um país cujo maior patrimônio seja o conhecimento deve ser análogo ao esforço missionário – diário e ininterrupto. Todavia, para abreviar o longo tempo necessário para atingir indicadores minimamente satisfatórios, precisamos articular e incrementar essas ações, papel que naturalmente envolve o poder público e, por extensão, as organizações civis que despertaram para tal demanda.

    Uma ampla mobilização nacional, comprometendo os profissionais da educação, a mídia, entidades de classe e empresariais e todas as instituições públicas municipais, estaduais e federais pode representar uma inversão do aterrador cenário atual. Além disso, ultima-se a integração da comunidade (em especial os pais de alunos) com as escolas e as bibliotecas públicas, visto que o binômio família-escola é infalível na formação de leitores. Mapear as iniciativas existentes, oferecer recursos profissionais e valorizá-las, fomentando o efeito multiplicador. Retórica a parte, se o Brasil quiser uma realidade econômica e social distinta do que vive hoje, precisa promover um esforço de guerra em favor da leitura.