As palavras, segundo Deonísio

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    Muito além dos títulos acadêmicos e dos prêmios e reconhecimentos da crítica literária do Brasil e do exterior, Deonísio da Silva define-se como “um botânico e um jardineiro das palavras” – sem esconder a preferência pela segunda condição. Catarinense de Siderópolis, filho de um mineiro de carvão e criado entre as dificuldades de uma família numerosa, Silva é um dos mais consagrados autores contemporâneos. ‘Avante Soldados: para trás’, uma diferenciada narrativa da Guerra do Paraguai rendeu-lhe o Prêmio Casa de Las Américas (Havana, Cuba) e foi traduzido em diversos idiomas. Professor doutor pela Universidade Federal de Filólogo poliglota e meticuloso investigador das palavras e das expressões proverbiais, Deonísio tem um apelo irresistível para tratar dos temas: o bom humor permanente, recheado de muito senso crítico.

    No último dia 29 Deonísio palestrou na Academia Catarinense de Letras (ACL) sobre o acordo ortográfico e dedicou a manhã seguinte para visitar a unidade de o Projeto Pescar da Aemflo CDL São José, em uma sessão especial da dinâmica de ‘Fomento à Leitura’, de minha iniciativa. “Senti-me de volta aos tempos de professor de ensino médio”, resumiu ele, muito feliz pelo encontro com a turma. “Foi um encontro especial, nem consigo descrever”, disse a aluna Stefany Luiza. Os jovens questionaram sobre a vida e a carreira do autor, a origem de palavras e aforismos e ouviram muitos relatos sobre o nosso idioma e sobre História.

    Resgato a breve narrativa sobre o vaga-lume (hifenizado, segundo o novo acordo ortográfico, porém desnecessariamente, conforme Deonísio). O coleóptero era chamado pelos colonizadores portugueses de caga-lume, pela posição da luz fosforescente, na parte traseira do abdome do bichinho. Incomodado, um padre lusitano sugeriu, no início do século XIX, mudar o nome para vagalume, cujo prefixo estaria relacionado a vagar. Em um concurso, no final daquele século, dona Joana Josefa de Meneses, Condessa da Ericeira, atribuiu a denominação de pirilampo, em origem no grego: peri = em volta e lampein = luz.

    Suas deliciosas histórias podem ser desfrutadas em ‘A origem das palavras’, com dois volumes publicados e recorrentes edições e reimpressões.

    Ave Deo!

    Por Carlos Stegemann