Ainda teremos imagens para lembrar?

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    A morte de George Mendonsa, o marinheiro que beija uma enfermeira na Time Square, em Nova Iorque, durante comemoração do fim da Segunda Guerra Mundial, cuja imagem tornou-se a célebre fotografia de Albert Eisensteadt , reacende na memória outros registros que ganharam repercussão global.

    Uma dessas fotos é a da menina Kim Phuc, correndo com o corpo queimado por napalm, durante um ataque da Guerra do Vietnã, em 8 de junho de 1972. O fotógrafo Nick Ult registrou o momento e o resultado de sua divulgação contribuiu para o início das negociações para o encerramento do conflito militar.

    Em 2012 Kim esteve em Florianópolis para um congresso sobre queimaduras. Quem a acompanhou pode ouvir como foi a recuperação, o desenvolvimento pessoal e o significado que o retrato teve na vida dela. Foi inesquecível conhecer e conversar com uma figura histórica do Século XX.

    Ao lembrar da cena do beijo, de Kim e de outras imagens imortalizadas em fotografias vem a comparação com os temas atuais, vividos com muita tecnologia digital e banalização. Alguma foto de celular será lembrada anos depois com tanta relevância e impacto? Ainda teremos personagens icônicos a serem seguidos ou somente raras lembranças de selfies e 15 segundos de fama?

    Os aparelhos para fotografar estão aí e com recursos técnicos cada vez mais sofisticados. O problema talvez seja a vulgarização que torna tudo descartável e desinteressante num piscar de olhos.

     

    Rafael Matos, jornalista